Competências sec. XXI e Audiovisual

Divulgamos as Conclusões dos 2 temas debatidos no Encontro Anual de 2015 do Conselho da Diáspora Portuguesa.

1. Competências para o século XXI: As Novas Gerações estão Preparadas?

Um estudo apresentado pela consultora McKinsey permite enquadrar o problema da capacitação dos jovens para o mercado de trabalho. Em comparação com a Europa, Portugal apresenta um fosso nos níveis de educação e no abandono escolar, evidenciando este último indicador níveis muito elevados entre os jovens de 18 a 24 anos.

São três os obstáculos que afectam o desempenho e adesão ao sistema de ensino: 1) a barreira económica; 2) descredibilização do ensino pós-secundário; 3) pouca informação disponível sobre oportunidades de trabalho. Apesar dos níveis de desemprego actuais, grande parte dos empregadores, em especial as PMEs, afirma não encontrar as competências que necessita, e apenas uma minoria expressa-se satisfeito com a formação ministrada aos alunos. Os designados ‘soft skills’ (criatividade, comunicação, trabalho em equipa, etc.), são as capacidades consideradas como as mais importantes e nas quais existe maior desfasamento entre procura e oferta, quando comparado com as ‘hard skills’ (matemática básica, conhecimentos técnicos, experiência prévia, etc.).

As instituições de ensino devem questionar os modelos clássicos, explorando as novas possibilidades tecnológicas, e promover um ambiente mais criativo e dinâmico, numa perspectiva de adequação contínua dos currículos ao serviço das necessidades de um mercado de trabalho global. As políticas públicas terão igualmente um papel relevante no estímulo das preferências dos jovens para cursos que são mais procurados pelo mercado, e.g. nas áreas STEM (Science, Technology, Engineering and Mathmatics), e nas quais se estimam lacunas na oferta de recursos.

 

2. Inovação em Audiovisual e Media: Uma Oportunidade para Portugal

A indústria do audiovisual e media é um dos principais sub-sectores da indústria cultural – responsável por 2,7 mil milhões de euros de receitas por ano e 2% do emprego nacional. No entanto, trata-se de um sector ainda pouco consolidado, não pela capacidade de produção, mas pela fragilidade e precariedade da procura - os canais de televisão – que geram instabilidade económica e financeira das empresas do sector (um pequeno número de empresas de pequena dimensão), dificultando a definição de estratégias comerciais de curto e médio prazo.

Apesar destas dificuldades, o desenvolvimento da indústria do audiovisual e média nacional tem tido um progresso assinalável nas últimas décadas e o produto nacional tem vindo a afirmar-se cada vez mais. Tendo por base o talento de uma nova geração de argumentistas, actores e realizadores, as eficiências de escala permitem gradualmente atingir custos competitivos que garantem a estabilidade contratual com os clientes e geram elevada fidelização da audiência televisiva. Hoje, o produto nacional lidera as audiências de televisão e vão progressivamente conquistando bilheteira nas salas de cinema, havendo cada vez mais títulos portugueses em exibição.

Também o sector do audiovisual e media, à semelhança de outros sectores, tem sofrido o impacto da tecnologia digital, quer nos processos de produção, quer como os respectivos produtos são distribuídos e consumidos pelo mercado. Actualmente existe uma base de 2 mil milhões de pessoas a utilizar serviços de conteúdos distribuídos através da internet, prevendo-se que esta base possa mais que duplicar até ao final da década, o que poderá pressupor uma redução no investimento em televisão (não aumentado há cerca de uma década) e pondo em causa a sustentabilidade da produção nacional já industrializada.

Embora com uma dinâmica intermitente, Portugal reúne um conjunto de condições para acelerar o crescimento deste sector: talento criativo e interpretativo, condições climatéricas favoráveis e diversidade ambiental, instalações técnicas de qualidade e boa preparação técnica dos profissionais. No entanto, as políticas públicas têm igualmente influência no desenvolvimento destes mercados, desempenhando um papel essencial - os países avançados neste sector tiveram nas políticas públicas activas o impulso crítico para o crescimento e consolidação – e.g. Brasil, França, os países nórdicos , Espanha e Turquia. Como regra geral, o sucesso dos sectores do audiovisual e media tem sempre na origem uma aposta deliberada do Estado.

 

LEIA O DOCUMENTO DAS CONSLUÕES 2015: AQUI

 

Por Conselho da Diáspora, Dezembro 2016

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