O Melhor de Portugal

Adaptação, empenho e competência estão entre os pontos fortes que fazem o êxito internacional de muitos portugueses. Mas ainda há quem os desvalorize. Portugal é mais do que o país da ‘troika' e da crise. Tem muitas capacidades e pode marcar a diferença no estrangeiro. Todos reconhecem que, quando vão para fora, os portugueses são dos melhores a trabalhar. Porquê? Porque se adaptam facilmente, são flexíveis, trabalhadores e têm um dom natural para se desenrascar.

São apenas algumas das qualidades típicas dos portugueses que se destacaram na conferência sobre "O melhor de Portugal" - um encontro que decorreu na passada sexta-feira, dia 11, na Fundação Champalimaud, integrado no ciclo ‘Rotas para o Futuro', uma das iniciativas Económico para celebrar o seu 25º aniversário.

Uma conclusão foi transversal às opiniões dos convidados: Portugal é melhor do que a imagem que os portugueses têm do seu próprio país. E uma prova disso são os casos representados pelos vários convidados da conferência que contou com Ricardo Monteiro, presidente global da Havas Worldwide, como ‘chairman'.

Todos são exemplos do que o país faz bem e que gera sucesso internacional - e que contraria a percepção negativa de muitos portugueses. Não faltaram marcas, pessoas ou empresas para Ricardo Monteiro usar como exemplo. É o caso da Petratex ou da Nelo, exemplos ímpares de inovação, de Vhils, considerado o 12º melhor ‘street artist' do mundo, ou de Cristiano Ronaldo que, recordou, "fez mais pela imagem de Portugal do que a maioria dos portugueses". Mas executivos de topo no estrangeiro, como António Horta Osório, Alberto Fernandes, Victor Luis e Carlos Tavares também se destacam.

Foi com o foco em casos de sucesso que Ricardo Monteiro lançou o mote para o tema do primeiro grupo de convidados, profissionais de sucesso no país e no estrangeiro, em áreas altamente exigentes e competitivas, mas de que ainda se sabe pouco.

Rodrigo Adão da Fonseca, administrador financeiro da Tekever, grupo tecnológico que desenvolve vários produtos e serviços - entre os quais drones -, não tem dúvidas de que parte do sucesso é a "forte aposta no investimento para criar conhecimento" e acredita que a ambição em "criar valor acrescentado marca a diferença". Ideias, investimento e tradição Por isso, a empresa aposta fortemente em tecnologia, sendo que "70% do nosso lucro é aplicado em investigação e desenvolvimento". Mais, adiantou o gestor: "80% da tecnologia integrada nos nossos drones é nossa" e está convicto de que parte do sucesso é terem uma visão global. Não é por isso de estranhar que o estrangeiro garanta 95% das vendas.

Aliar a tradição à modernidade foi o desafio - superado - da Xuz, marca de calçado criada em 2008 com o objectivo de "reinventar a tradição dos socos", contou Maria do Carmo Alvim, uma das fundadoras. Sem investimentos iniciais ambiciosos, começaram por colocar apenas 300 pares à venda para testar o mercado, "para ver a aceitação". A resposta está nas vendas do último ano: 20 mil pares e já com presenças em países como Alemanha, Suécia, Espanha, Japão ou Israel. Um sucesso que, explica, se deve muito "à paixão, criatividade, trabalho e persistência", determinantes na altura de definir o projecto e de explicar o objectivo a fornecedores e parceiros. "A resistência inicial foi muita, uma vez que queríamos associar o tradicional sem esquecer a tecnologia". Hoje continuam a fazer os sapatos em Portugal. Criatividade e investigação são as áreas de influência de mais dois portugueses com forte reputação internacional.

Hugo Veiga - reconhecido em Cannes no último ano como o melhor criativo do mundo, autor da campanha mais viral de sempre no YouTube e com um número recorde de prémios internacionais de publicidade - é hoje director criativo da AKQA no Brasil, uma das maiores agências de inovação do mundo e num dos mercados mais competitivos na área da publicidade. Se agora é um activo importante da multinacional, a sua aventura no Brasil começou, em 2005, com alguma resistência. "Nós gostamos de publicidade, mas os brasileiros são obcecados", contou - isto num país onde, diz, não é comum receberem estrangeiros na área. Foi a persistência que o fez vencer, assumindo que o sucesso "passou pela adaptação ao mercado, por criar muitas ideias, trabalhar com esforço e afinco".

Carla Oliveira, investigadora do IPATIMUP - recentemente distinguida com o prémio internacional ‘No Stomach for Cancer', pela sua pesquisa na área do cancro do estômago -, é mais um bom exemplo de como o país pode distinguir-se em áreas exigentes como a ciência. A investigadora já trabalhou em vários países, como Canadá e Alemanha, e não tem dúvidas de que Portugal tem bons profissionais. "Da minha experiência no estrangeiro, percebi que somos muito bem formados e que a nossa educação é um factor diferenciador. Somos muito flexíveis e pouco formatados". No entanto, admite que a investigação ainda podia ser mais reconhecida no país, se existissem mais recursos. "Na investigação é absolutamente necessário mais recursos e, mais importante ainda, recursos com regularidade", reforçando que mais apoios permitiriam "um melhor planeamento dos projectos".

Conheça em pormenor a reportagem no Etv AQUI

 

Por Diário Económico - Raquel Carvalho
14 Julho 2014

 

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