Henrique Cymerman fala sobre novo livro

Henrique Cymerman, Conselheiro da Diáspora Portuguesa, é repórter em muitos cenários de guerra, em especial no Médio Oriente. Lançou em Março deste ano o seu novo livro intitulado "O terror entre nós". 

Refere no seu livro - «O terror entre nós» - que há duas grandes ameaças ao mundo, neste momento: o jihadismo e a extrema-direita. Porquê?

Por motivos muito objetivos. Nos últimos três anos, o jihadismo atingiu um grau de ameaça enorme para o mundo ocidental, mas não só. 98 por cento das vítimas do Daesh ou do Estado Islâmico são muçulmanas. O que se passa no ocidente é sintomático. Metade do exército italiano está a patrulhar as ruas das cidades. Podem não acreditar, mas eu atualmente vejo mais segurança nas ruas da Europa do que em Israel, o país onde vivo. O jihadismo é, por isso, uma ameaça, declara-se enquanto tal e promete lutar contra os infiéis, ou seja os cristãos e os judeus, por diferentes meios. Um destes meios é o ataque perpetrado pelos chamados «lobos solitários», com facas, bombas, camiões, etc.

E o que é que a extrema direita tem de ameaçador?

As enormes mudanças registadas desde a II Guerra Mundial têm-se traduzido, nomeadamente, nas vagas de refugiados. Na Síria, cerca de 12 milhões de pessoas perderam as casas nos últimos sete anos. Há 1 milhão de mortos no Médio Oriente em sete anos, para além do número enorme de feridos, de violações, de torturas, etc. É brutal. Muitos deles foram para a Europa, sobretudo para a Alemanha. E há uma reação das forças fascistas e neo-nazis locais que tentam lutar, de alguma maneira, contra a chaga de emigrantes de outros povos. O que se constata é a subida da popularidade da direita, em geral, e de grupos de extrema direita muito perigosos, racistas, que apoiam todo o tipo de discriminações. Trata-se de uma ameaça enorme.

Voltando aos radicais islâmicos. Onde estão as raízes desta jihad à escala global?

A «jihad global» não é uma guerra de civilizações, mas uma guerra no coração do mundo muçulmano. Quero com isto dizer, que os muçulmanos não são só o problema, são parte da solução. Eu acho que devemos unir o ocidente com a maioria racional do mundo muçulmano para tentar isolar os radicais que são em percentagem muito baixa. Calcula-se que os jihadistas dispostos a cometer atentados são cerca de 0,5 por cento. Mas 0,5 por cento de 1600 milhões de pessoas é muita gente.

Reside em Israel, um estado por natureza securitário. Os habitantes do ocidente estão condenados a viver numa redoma por medo do terror?

O objetivo dos terroristas é o de semear o pânico e alterar os hábitos das sociedades ocidentais. E querem isolar-nos, provocar medo, que tenhamos pavor de sair à rua com os nossos filhos e que estes vão a uma discoteca ou apanhem um autocarro. Eu não sou a favor de lhes dar o gosto de sentir que ganham nessa luta. Mas para isso é preciso tomar todo o tipo de medidas que sejam dissuasoras.

Medidas de que tipo?

Nesse aspeto a experiência israelita é muito positiva. Em Israel as pessoas vivem com total normalidade o facto que quando vais a um centro comercial as pessoas vejam em meio segundo a tua bolsa para certificarem-se que está tudo em segurança. Da mesma forma que encaram com normalidade ser sujeito a um interrogatório quando chegam ao aeroporto. As pessoas veem isso como parte da rotina que aumenta tanto a sua segurança, como a das suas famílias. Por isso, acho muito provável uma certa «israelização» da Europa em termos de segurança, nos exemplos que atrás referi. Parte das medidas de segurança que se tomam em Israel vão acabar por ser adotadas na Europa, por exemplo, nos aeroportos.

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Por Ensino Magazine, Abril de 2018

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