Conversas com a Diáspora Portuguesa

O Conselho da Diáspora Portuguesa promoveu no passado dia 19 de Dezembro uma tarde de ‘Conversas Improváveis’ com algumas figuras de destaque da diáspora portuguesa no mundo, que decorreu na Católica Lisbon School of Business and Economics, em Lisboa.

Desde estudantes universitários, mestrados e MBAs, a executivos e empreendedores de startups (juntamente com os Conselheiros de Portugal no Mundo), foram reunidas nestas sessões diversos perfis e percursos de vida diferenciados, proporcionando a partilha de experiências, casos de sucessos e insucessos, perspectivas e visões sobre os temas em agenda, evidenciando os vários pontos de vista geracionais.

Foram abordados temas como Ciência: Promessa de um mundo melhor?; Digital e Criatividade, podem coexistir?; ou Mitos e Realidades sobre o tema das Novas Profissões, e também Somos os novos nómadas? e Nascer em Portugal, Abraçar o Mundo. Após as sessões houve momentos de networking informal com os membros da diáspora.

Para Ricardo Monteiro, ex-presidente da Havas Worldwide, “o mais difícil foi vencer o preconceito” associado à imagem dos portugueses em alguns países do mundo. Apesar de tudo, o gestor, que saiu de Portugal para estudar na Bélgica em 1974, diz que “a opinião sobre Portugal está a mudar”. Hoje, "muitas pessoas conseguem fazer de Portugal a base para depois terem uma carreira internacional", defende.

Foi essa a estratégia utilizada pela astrobióloga Zita Martins. O seu percurso iniciou-se no Instituto Superior Técnico (IST), onde tirou a licenciatura em Química, e daí passou para a Holanda. Como queria seguir uma carreira no ramo da Astrobiologia e "essa opção não existia em Portugal", decidiu-se pela emigração em 2002. Se tivesse ficado por cá, nunca estaria onde está hoje, reconhece Zita Martins. O objectivo da cientista era colocar Portugal no mapa da Astrobiologia. Assim, perseguiu o seu sonho "lá fora" e 16 anos depois está de regresso ao país como professora convidada no IST.

Quanto à valorização da ciência em Portugal, John Melo, director-geral da Amyris Biotechnologies, uma empresa do ramo da biotecnologia, avisa que "é necessário um ecossitema de apoio à inovação" em Portugal. Além disso, é preciso "aprender a aceitar os erros", diz o açoriano que vive nos Estados Unidos desde 1973.

Rui Portela, um cientista que aos 29 anos está prestes a partir para um programa de pós-doutoramento numa empresa farmacêutica na Bélgica, participou no evento porque diz que é interessante "ver como os portugueses se relacionam a nível internacional e em diferentes áreas". Apesar de estar de saída, não esconde que, "se houver uma oportunidade de trabalho interessante, a ideia é voltar".

 

Aproveitando a vinda de muitos dos Conselheiros a Portugal para o Encontro Anual do Conselho da Diáspora, estiveram presentes nesta ocasião 26 membros da World Portuguese Network, contando também com a participação das principais associações de jovens da diáspora portuguesa, no papel de apresentador-moderador: AGRAFr, PARSUK, ASSPA, PAPS e GPS.

 

  

Por Conselho da Diáspora Portuguesa, Dezembro 2017

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